Signos, Cifras, Cores

Por Vanda Klabin

Ela foi identificada como a autora de misteriosas pinturas de símbolos indecifráveis espalhadas pelos muros da Zona Sul. Joana Cesar contou ao mundo, em um alfabeto particular, seus segredos que na adolescência eram escritos em uma agenda, entre relatos de desejos, frustrações e citações poéticas.

Começou a escrever quando era ainda adolescente. “Foi nessa época que inventei o código. Ele servia apenas para eu poder manter um diário sem o risco de o meu irmão mais velho ler, onde eu relatava meus sonhos e minhas paixões”, diz Joana. Esse código foi recentemente decifrado pelo matemático, Paulo Orenstein, que prometeu não revelar a sua descoberta.

O fazer artístico de Joana Cesar envolve todo um sistema de signos cifrados que ganham cores e formas nessa exposição, e fazem parte de sua mitologia pessoal. Eles são utilizados como uma espécie de dispositivo do cotidiano, como uma forma de equivalência poética para expressar a sua linguagem plástica.

Para essa exposição, intitulada de fuga>lenta, Joana Cesar apresenta onze placas de aço galvanizadas, de tamanhos variados, que já trazem camadas sucessivas dos resíduos naturais do caos urbano. Esse será o suporte principal para receber as suas intervenções, com diversos tipos de materiais como spray, partituras musicais, lenços bordados, pigmentos, colagens e  caligrafias feitas com pincel oriental & nanquim.

A força jovem de Eduardo e Filipe Masini, donos da galeria, reúne qualidades que normalmente não andam juntas: sangue extremamente novo e maturidade na condução do trabalho”, afirma a artista, que também participa paralelamente da coletiva de onze artistas Gramáticaurbana, no Centro Municipal de Artes Helio Oiticica, até o dia 6 de maio de 2012. Ambas exposições foram  realizadas  com a minha curadoria – Vanda  Klabin

 

Galeria Athena Contemporânea

Exposição: 12 de abril a 5 de maio de 2012

Segunda – Sexta-feira, das 11h às 19h

Sábado: das 11h às 18h